domingo, 18 de março de 2012

Entenda os bastidores da novela Inter & AG


Luigi não queria viajar para Bolívia sem definir data para assinatura do contrato
Luigi telefonou para dirigentes da AG antes de acertar acordo
Eram 16h de sexta-feira quando o presidente do Inter, Giovanni Luigi, começou a disparar telefonemas. Estava angustiado com a demora da Andrade Gutierrez em assinar o contrato para a reforma do estádio Beira-Rio, escolhido pela Fifa para ser sede de jogos da Copa do Mundo em 2014. Ele não queria viajar para La Paz, na Bolívia, na segunda-feira, onde o Inter enfrentará o The Strongest na quarta-feira pela Libertadores, sem resolver a questão. Não estava disposto a arrastar o problema até quinta-feira, dia do retorno.

Às 17h, Giovani Luigi estava reunido no Beira-Rio com Cássio de Jesus Trogildo, Diana Raquel de Oliveira, João Patrício Centeno Hermann, José Aquino Flores de Camargo, José Carlos Granja de Andrade, Pedro Paulo Salvadori Zachia e Ronaldo Marcelio Bolognesi, todos integrantes da Comissão de Obras.

Quase 5 horas depois, um Luigi visivelmente aliviado concedia entrevista coletiva para anunciar: "Segunda-feira, às 11h da manhã, será feita a assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez no salão do Conselho Deliberativo. Faremos um convite formal por meio desta presidência aos conselheiros colorados. Já avisei o prefeito e o governador. Conversei com a construtora para estar presente na assinatura de contrato, deixando tudo garantido. Combinamos a retirada da cláusula dos 120 dias que permitia que eles saíssem da parceria, pois não haveria um porquê pelo atraso que já temos".

Era mais uma parte do capítulo que começou em dezembro de 2011, quando, após longa discussão e da análise da minuta do contrato, o Conselho Deliberativo aprovou a parceria com Andrade Gutierrez, com 229 votos favoráveis e 47 contrários. Novela que teve de tudo, até "conspiração" para tirar a Copa do Beira-Rio, levando os jogos para a Arena do Grêmio, e que reservou as maiores emoções para os últimos capítulos.

Enquanto aguardava pela assinatura da Andrade Gutierrez, o Inter recebeu uma proposta de reforma do Beira-Rio de um grupo formado por quatro empresas do Rio Grande do Sul. Pela proposta, o grupo exploraria obras que seriam construídas no entorno do Beira-Rio por 20 anos, entregando depois para o clube, e, segundo influente conselheiro colorado, as negociações com a Prefeitura de Porto Alegre e com o Banrisul estariam adiantadas.

A proposta chegou a ser avaliada pelo Inter como Plano B, que cogitou até a sexta-feira passada em trocar de construtora. Especula-se que a entrada de um concorrente possa ter sido decisiva na mudança de postura da Andrade Gutierrez. Luigi nega ter recebido tal proposta, como nega que, caso tivesse fracassado a negociação com a Andrade Gutierrez, ele anunciaria ainda na sexta-feira o Plano B, alternativa que teria que ser submetida ao Conselho.

Paralelamente, até a sexta-feira, alguns integrantes do movimento que pretendia realizar a reforma com dinheiro da própria instituição, torciam para que Inter e Andrade Gutierrez rompessem, alimentando a esperança de que Luigi recuasse e, pressionado, aceitasse o modelo antigo.

Logo após a reunião de sexta-feira, um dos integrantes da Comissão de Obras ouvido pelo Correio do Povo sobre se a Andrade Gutierrez iria recorrer ao Banrisul como banco repassador do empréstimo que deve ser solicitado ao BNDES, disparou: "Tá louco. Eles (construtora e Banrisul) quebraram os pratos. Foi coisa muita feia". Deve-se lembrar que no dia 25 de fevereiro a Andrade Gutierrez divulgou nota oficial nos jornais dizendo que o Banrisul não concordara em repassar o financiamento do BNDES, responsabilizando o banco pelo atraso na assinatura.

O Banrisul retrucou e até o governador do Estado, Tarso Genro, bateu na construtora ao saber, na quarta-feira, que a Andrade Gutierrez não havia dado prazo para assinar o contrato. "A nossa relação com a Andrade Gutierrez está esgotada", afirmou o dirigente político.

Um dos capítulos mais constrangedores da novela ficou reservado para uma reunião na qual se tentou de todas as formas levar as partidas da Copa do Mundo para a Arena do Grêmio. Luigi foi pressionado a abrir mão de ter jogos no Beira-Rio e um dos presentes, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, surpreso com os acontecimentos, teria confidenciado a um dos convidados: "Gaúcho, você viu o que estão tentando fazer aqui?". O prefeito José Fortunati teria feito um discurso veemente em favor da realização da Copa no Beira-Rio, para estupefação do presidente do Grêmio, Paulo Odone, que talvez imaginasse que Fortunati, por ser gremista, apoiaria a ideia da mudança.

Nas primeiras horas deste sábado, Luigi disse a um amigo: "Hoje vou dormir sossegado". Com razão. O presidente do Inter sai como um dos grandes heróis desta novela que, nesta segunda-feira, às 11h, terá mais um capítulo importante, com a assinatura do contrato. Finalmente.


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