Salários e empregos espantam a crise no Rio Grande do Sul
Apesar de projeções negativas do PIB, crescem ganhos e contratações na região Metropolitana
|
As projeções negativas para o Produto Interno Bruto (PIB)
em 2012 ainda não se transformaram em fatos, pelo menos no mercado de trabalho
de Porto Alegre e sua região Metropolitana (RMPA). O termômetro dos bancos de
dados do Departamento Intersindical de Economia e Estudos Estatísticos
(Dieese/RS) registra calor em duas colunas da economia: empregos de carteira
do trabalho assinada e ganhos reais de salários, informa o supervisor técnico do
Dieese/RS, o economista Ricardo Franzoi.
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a alta salarial foi "puxada" pelo reajuste de 14,75% do piso mínimo regional em um período de apenas dez meses e pela falta de mão de obra qualificada. "Há 26 meses a indústria gaúcha está estagnada", afirma o presidente Heitor Müller. No entanto, conforme o Dieese/RS, nos primeiros cinco meses do ano, 53% dos acordos coletivos de trabalho ocorridos na RMPA - com 1,353 milhão de assalariados - garantiram índices entre 1 e 2 pontos percentuais de ganho acima da inflação (INPC/IBGE). Outros 30% dos acordos fechados no mesmo período conquistaram aumentos salariais entre 2 e 3 pontos percentuais, além da inflação, acrescenta Franzoi. Estão nessa faixa duas categorias numericamente expressivas da indústria do Rio Grande do Sul: os metalúrgicos e os trabalhadores da área da alimentação. Quanto à criação dos novos postos de trabalho, o Dieese/RS registrou a contratação de 50 mil pessoas na região Metropolitana, entre janeiro e maio deste ano. No ano passado, o desempenho foi melhor. "Mas o alcançado até agora está muito bom", afirma o economista. De acordo com Franzoi, a queda da inflação ajudou. "É mais fácil o salário e o emprego crescerem num quadro de baixa inflação", diz. Em maio deste ano, por exemplo, a inflação acumulada em 12 meses foi de 4,8%. No mesmo mês do ano passado, o índice era de 6,88%. Em síntese, "nada temos em comum com a crise da Europa e dos Estados Unidos, onde a expansão da economia é zero", registra Ricardo Franzoi. Com 200 mil trabalhadores na sua base, a categoria dos metalúrgicos obteve 2,5 pontos percentuais de ganho real de salário em três áreas da produção - metalurgia, máquinas e implementos agrícolas e reparação de veículos -, conforme citou o presidente eleito da Federação dos Metalúrgicos, Jairo Carneiro, que assume o cargo no próximo dia 20. Na média, os salários variam entre R$ 1,2 mil e R$ 2 mil. Nos primeiros cinco meses deste ano, 3,5 mil postos formais de trabalho foram abertos. "É um número pequeno, mas positivo. Sabemos da desindustrialização, do aumento das importações da China, mas não estamos estagnados, nem no desemprego", conclui o dirigente dos trabalhadores metalúrgicos. Fiergs adia otimismo para fim do ano Dados da Fiergs revelam que, enquanto os salários cresceram 7,2% acima da inflação nos primeiros cinco meses do ano, as compras de matéria-prima e insumos tiveram queda de 7,1%. No mesmo período, afirma o presidente Heitor Müller, as horas trabalhadas na produção diminuíram 2%, o faturamento real das indústrias baixou 1,5%, a utilização da capacidade instalada das fábricas foi menor em 1,9% e o emprego teve leve recuo de 0,7%. "Quando a compra de matéria-prima encolhe, o sinal à economia é: as vendas serão menores lá adiante e a atividade industrial vai desaquecer", observa o dirigente. A expectativa de recuperação neste segundo semestre, conforme Müller, "foi adiada para o último trimestre do ano". Cerca de 35% das fábricas gaúchas estão com estoques e produtos prontos em excesso, assinala o dirigente. Nessa desaceleração há fatores externos e internos. Por um lado, a crise internacional tem retraído investimentos. O menor consumo na Europa e nos EUA reduz pedidos à indústria, observa ele. "Já as exportações gaúchas acumulam queda de 2,9% no ano e o Estado sofre com um problema a mais: as barreiras da Argentina, que já causaram recuo de 13% nas vendas ao país vizinho." Por sua vez, a expansão nas vendas do comércio deve-se à entrada, cada vez maior, de produtos provenientes da China. Portanto, acentua Heitor Müller, a queda na produção industrial é real. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já projeta um crescimento de 1,6% para o PIB do país em 2012. No Rio Grande do Sul, a indústria de transformação é responsável pela geração de 21,8% do PIB e no país gera 14,6%. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário