terça-feira, 6 de novembro de 2012

Novo presidente dos Estados Unidos será eleito hoje

Voto dos indecisos deve definir disputa entre Barack Obama e Mitt Romney

Mitt Romney e Barack Obama disputam preferência dos eleitores<br /><b>Crédito: </b> Getty Images / AFP / CP
Mitt Romney e Barack Obama disputam preferência dos eleitores
Crédito: Getty Images / AFP / CP
Depois de uma campanha intensa e de pesquisas de intenção de votos mostrando empate técnico, as eleições dos Estados Unidos ocorrem nesta terça-feira, polarizando a disputa entre o presidente Barack Obama (democrata) e Mitt Romney (republicano). Ambos divergem nos principais temas em discussão no país: economia, política interna e externa, questões sociais.

O resultado das eleições pode não ser divulgado hoje, pois depende de cada um dos 51 colégios eleitorais. Em 17 de dezembro deste ano, os colégios eleitorais vão se reunir na capital de cada estado e na capital do país, Washington, para formalizar a eleição do candidato vitorioso.

Obama defende o estímulo econômico direto por parte do governo, investindo na formação profissional e infraestrutura de transportes, telecomunicações e tecnologias. Do seu plano especial para a geração de emprego American Jobs Act, apenas parte dos benefícios fiscais destinados aos trabalhadores foi aprovada pelo Parlamento.

As categorias profissionais apelam por mais financiamento federal para os estados, assim como insistem na contratação de professores pelas escolas municipais. Romney defende a adoção do Plano de Cinco Pontos que se baseia na redução de tarifas e impostos para os empresários e na regulação para o setor.

Romney é contra as medidas de estímulo de curto prazo, pois disse que elas levam ao endividamento e à intervenção do governo no mercado de habitação. Por sua vez, Obama propõe a extensão por um ano dos cortes de impostos, excluindo os grandes contribuintes. A principal proposta do candidato republicano é reduzir em 20% as taxas, compensadas pela eliminação de deduções e créditos fiscais.

Durante a campanha, Obama disse que pretende reduzir a despesa do governo federal de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) para 22,5%, diminuindo o déficit das contas públicas para 3%, sobretudo em despesas com a área de defesa. Para o presidente, é fundamental também mudar o sistema de segurança social.

A reforma do sistema de saúde pública, destinado aos aposentados, levou o presidente ao desgaste nos últimos meses e divide opiniões. Romney é favorável a elevar em mais dois anos a idade para a aposentadoria – de 67 anos. O objetivo do republicano é reduzir os gastos públicos.

Depois de ver frustrada sua meta de mudar o sistema de imigração, prometida em 2008, Obama promete empenhar-se para, por exemplo, legalizar os trabalhadores estrangeiros que estão no país. Em sua gestão, houve um número recorde de informações sobre imigrantes ilegais, mas uma redução na quantidade de jovens levados ilegalmente para o país pelos pais.

Romney tem um discurso antagônico, assumindo uma posição crítica em relação aos imigrantes ilegais e recomendando a deportação voluntária para os países de origem. Também disse ser favorável a montar uma estrutura capaz de fechar a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Em relação à política externa, Obama promete retirar até o final de 2014 as tropas norte-americanas do Afeganistão. Romney considera Obama brando em relação ao Oriente Médio, à China e à Rússia, assim como ao Irã.

Delegados dos estados decidem a eleição


Para um brasileiro já acostumado às votações diretas, não é tarefa das mais fáceis entender como um presidente norte-americano é eleito. Ao contrário do pleito daqui, a maioria absoluta pode não garantir a vitória nos Estados Unidos. O que importa mesmo são os votos dos delegados de cada estado, que formam o colégio eleitoral.

Ao todo, são 548 delegados que “decidem” a eleição. A vitória é alcançada com 270 votos deles. Cada um dos estados do país tem um número de delegados diferente – que varia de acordo com a força política de cada região. Dos 50 estados americanos, em 48 a votação ocorre no modelo chamado “the winner takes it all” (o vencedor leva tudo): o partido do candidato com mais votos leva todos os representantes do colégio eleitoral destinados àquele estado para a votação direta.

Por exemplo: quem somar mais votos na Califórnia fatura 55 delegados. Já quem vencer no Texas ganha 38. Nunca se dividem os votos, independentemente se a vitória nas urnas for de 51% a 49%, ou de 90% a 10%. Apenas dois estados não seguem esse modelo: Maine e Nebraska. Nesses locais, a votação é dividida por distritos eleitorais. As duas regiões, entretanto, possuem um peso pequeno no somatório geral: Nebraska tem cinco delegados, e Maine, quatro.

Eleição promete ser acirrada


Mesmo nos locais pouco representativos, porém, cada voto nesta eleição poderá ser decisivo. Isso porque Barack Obama e Mitt Romney se mostram empatados nas intenções de votos desde que oficializaram as candidaturas. Pequenas oscilações deram vantagem para um ou para o outro ao longo da campanha, mas sempre na margem do empate técnico.

Votação já começou

Ainda que esteja marcada para esta terça-feira, a eleição na prática já começou nos Estados Unidos. Os eleitores de diversos estados tiveram a oportunidade de antecipar seu voto. Bastante atuante das novas tecnologias, o presidente Barack Obama votou em 25 de outubro.

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