Recuperação da Alemanha faz PIB da zona do euro ficar estável
País teve crescimento de 0,5% no 1º trimestre de 2012
A economia da zona do euro manteve-se estável no primeiro trimestre do ano, uma vez que a forte e surpreendente recuperação da Alemanha, que cresceu 0,5%, foi contrabalançada pelas contrações em Itália e Espanha. Os dados divulgados nesta terça-feira revelam a grande disparidade entre a forte economia alemã e a crescente desaceleração nos membros do sul da Europa. Essas disparidades tornarão mais difíceis a adoção, pelo Banco Central Europeu, de políticas monetárias mais apropriadas para a região como um todo.
Segundo a agência oficial de estatísticas da União Europeia, Eurostat, esta estabilização evitou que a região entrasse em recessão, uma vez que houve contração de 0,3% no quarto trimestre de 2011. O PIB também manteve-se estável em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A estimativa de economistas consultados pela Dow Jones era de que o PIB da zona do euro contraísse 0,2%. Já a Comissão Europeia havia dito sexta-feira esperar contração de 0,3% na economia da região este ano, para então se expandir em 1,0% em 2013. A crescente disparidade entre o maior e mais forte membro da região e as economias do sul que estão em meio a programas de austeridade pode trazer problemas políticos. A estagnação no PIB revela o desafio enfrentado pela região, uma vez que muitos de seus membros adotam severos programas de austeridade fiscal desenhados para cortar as altas dívidas e reconquistar a confiança do mercado em seus títulos. Mas essas medidas de austeridade impedem o crescimento econômico, elevando o desemprego e alimentando as tensões sociais e políticas que, por sua vez induzem investidores a duvidar da capacidade dos governos de manter seus planos. Alemanha O PIB da Alemanha avançou 0,5% no primeiro trimestre de 2012 na comparação com o quarto trimestre de 2011 do ano passado, em dados ajustados sazonalmente e pelo calendário. Na comparação com os três primeiros meses do ano passado, o avanço foi de 1,2%, informou, nesta terça-feira, o Escritório Federal de Estatísticas (Destatis). Os dados foram muito mais robustos do que os esperados por analistas consultados pela Dow Jones, que previam um crescimento trimestral de apenas 0,1% e uma expansão anual de 0,8%. As exportações líquidas foram o principal motor para o crescimento do PIB no trimestre, afirmou o Destatis. O consumo interno também impulsionou a economia após ter recuado ligeiramente no trimestre anterior, ajudando a compensar, parcialmente, a queda nos investimentos, acrescentou o escritório alemão. França A economia francesa não conseguiu crescer nos três primeiros meses de 2012, mostram dados divulgados hoje pela Agência Nacional de Estatísticas (Insee). Isso acrescenta pressão sobre o socialista François Hollande, que prometeu alavancar o crescimento com políticas suaves em contraponto à austeridade econômica pregada pela Alemanha, poucas horas antes de ele tomar posse como novo presidente da França. O PIB da segunda maior economia da zona do euro manteve-se inalterado em comparação com o quarto trimestre de 2011, em linha com a previsão dos economistas consultados pela Dow Jones. O Insee também revisou o PIB do quarto trimestre do ano passado para um crescimento de 0,1%, ante a leitura anterior de 0,2%. Os gastos dos consumidores - que respondem por mais da metade do PIB francês - não aceleraram significativamente, registrando apenas 0,2% de crescimento no primeiro trimestre, no comparativo trimestre sobre trimestre, após um aumento de 0,1% nos últimos três meses de 2011. Já o investimento caiu 0,8% no primeiro trimestre. A balança comercial deu uma contribuição negativa para o PIB, à medida que as importações aumentaram e houve desaceleração nas exportações. Grécia A economia da Grécia se contraiu ainda mais no começo deste ano, confirmando que o país permanece profundamente em recessão. O PIB grego teve contração anual de 6,2% no primeiro trimestre deste ano, em seguida à queda de 7,5% registrada nos três últimos meses de 2011. Portugal A economia de Portugal teve contração de 2,2% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, com o país entrando no segundo ano do regime de austeridade exigido pelos credores internacionais em troca de um pacote de resgate de € 78 bilhões, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). A contração anual foi menor do que a registrada no quarto trimestre do ano passado. Em comparação com o quarto trimestre a queda do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,1%. Itália A economia da Itália encolheu 0,8% no primeiro trimestre deste ano, ante os últimos três meses de 2011, mais do que a expectativa de 17 economistas consultados pela Dow Jones, que era de recuo de 0,6%. Os dados, do instituto nacional de estatísticas, Istat, são preliminares e ajustados por fatores sazonais e pelo número de dias úteis. Ante o mesmo período do ano passado, a contração foi de 1,3%, pior performance em termos anualizados desde o fim de 2009. Com este dado, o PIB da Itália agora soma três trimestres consecutivos de contração, tendo recuado 0,7% nos três meses finais de 2011 e 0,2% no terceiro trimestre do ano passado. O número trimestral reflete alguma expansão no setor agrícola e forte declínio nas atividades da indústria e do setor de serviços, segundo o Istat. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário